Foco na Toxicologia

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Foco na Toxicologia

A toxicologia é a área do conhecimento que visa identificar e compreender as substâncias tóxicas

Sua existência, ocorrência, comportamentos e mecanismos de ação.

A toxicologia é uma ciência incrível, multidisciplinar, e importante para o desenvolvimento humano; se estamos aqui hoje foi graças aos conhecimentos toxicológicos que, desde os tempos imemoriais, foram adquiridos e contribuíram para a evolução da humanidade e desenvolvimento de outras ciências, tais como a própria farmacologia, e também a imunologia, química, saúde pública, física, patologia, fisiologia, entre outras.

Para alguns toxicólogos, a toxicologia nasceu nos primórdios da humanidade, antecipando-se à própria história escrita sobre o uso de venenos e plantas para fins bélicos e/ou de caça.

Ademais, os relatos documentais sobre toxicologia datam de 5000 a.C.

Na china, o imperador Shen Nung, conhecido como o pai da medicina chinesa, testou cerca de 365 ervas, elaborou um tratado sobre estas ervas, e morreu, possivelmente, em função de uma intoxicação por estas ervas.

Outro documento importante que contém informações toxicológicas data de 1500 a.C. assim, o Papiro de Ebers, considerado um dos mais antigos documentos contendo informações toxicológicas preservado até os dias atuais, possui informações sobre o organismo humano e prescrições de substâncias curativas para várias enfermidades causadas por agentes tóxicos de origem animal, vegetal ou mineral.

A toxicologia evoluiu com a humanidade e a humanidade somente evoluiu porque utilizou os conhecimentos toxicológicos que foram adquiridos ao longo do tempo.

A toxicologia dos dias atuais, há muito tempo não visa somente identificar e compreender as substâncias tóxicas, mecanismos de ação, ocorrência, etc, mas prevenir as intoxicações, reconhecendo, identificando e quantificando os riscos, por meio de estudos experimentais, analíticos, computacionais e matemáticos.

O Biomédico

Na opinião de muitos profissionais toxicólogos, pode contribuir de maneira muito positiva para a evolução da toxicologia, seja na área experimental, analítica, entre outras. Atualmente, os profissionais farmacêuticos dominam grande parte do mercado toxicológico analítico, e fazem isto muito bem.

No entanto, os biomédicos também possuem tal capacidade, mas não estão inseridos no mercado da toxicologia, nem como estagiários. A toxicologia para o biomédico não é como as análises clínicas. O Brasil não possui um grande número de laboratórios de toxicologia.

Entretanto, mesmo não possuindo um grande número, há uma carência importante de profissionais farmacêuticos e biomédicos aptos para atuar em laboratórios de toxicologia. Tais laboratórios analíticos, por exemplo, possuem metodologias complexas e a instrumentação laboratorial não é algo trivial.

São necessários longos períodos de treinamento e especialização para a operação correta dos equipamentos, o desenvolvimento de habilidades e o conhecimento das técnicas de extração, entre outros.

Na parte experimental

O biomédico também poderá atuar em laboratórios de ensaios não clínicos desenvolvendo estudos para fins regulatórios empregando modelos experimentais in vitro, in vivo e/ou in silico.

Estes laboratórios contribuem de maneira positiva para o desenvolvimento do país, uma vez que, por meio de seus estudos, determinam e regulamentam, a partir dos ensaios não clínicos, os riscos químicos, a segurança e/ou toxicidade de novos fármacos, produtos de degradação de fármacos, produtos cosméticos, saneantes, defensivos agrícolas, entre outros.

O biomédico para atuar nestas áreas precisa estar bem preparado

E este preparo deve ser desenvolvido por meio de estágios e pós-graduações lato ou stricto sensu.

Assim, preparado, cabe salientar que as possibilidades de inserção no mercado de trabalho não se encerram no que foi descrito acima, e a necessidade por profissionais toxicólogos em indústrias, como nas de produtos cosméticos, alimentos, defensivos agrícolas, etc., bem como em empresas que desenvolvam estudos e gerenciamento de riscos químicos, toxicológicos e ambientais, é grande.

Com a Lei 13.103 de 02 de março de 2015, que obrigou empresas de transporte e motoristas profissionais autônomos ou não das categorias “C” “D” e “E” a passarem por exames toxicológicos de “larga janela de detecção”, o número de laboratórios interessados em toxicologia aumentou, e muitos estão se preparando e passando por acreditações.

Vale ressaltar, no entanto, que este processo não é fácil. Além de muito investimento financeiro, são necessárias autorizações de órgãos competentes e a aplicação da ABNT NBR ISO/IEC 17025 para acreditação forense de exames toxicológicos de larga janela de detecção para atendimento ao MTPS e DENATRAN (NIT-DICLA-069).

Atualmente, apenas oito laboratórios atendem a demanda destes exames no país.

No entanto, temos muita alegria em saber que um destes oito laboratórios pertence a um biomédico, e que este vem desenvolvendo um trabalho importante junto de sua equipe, que é formada por excelentes e renomados toxicologistas.

Ademais, vale ressaltar que importantes empresas de consultoria na gestão dos riscos químico, toxicológico e ambiental estão nas mãos de biomédicos toxicólogos, e isto é motivo de orgulho para a classe biomédica.

Na Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTox), uma das sociedades mais representativas e importantes da toxicologia brasileira, temos reunido um grande número de biomédicos atuantes no mercado de trabalho e na pesquisa em toxicologia.

Alguns destes profissionais estão inseridos na diretoria da SBTox, e lutam pelo desenvolvimento da área e para o desenvolvimento de políticas de saúde pública que envolvam aspectos toxicológicos.

Neste sentido, vale ressaltar as notas publicadas pela SBTox nas últimas edições do boletim INFOTOX, e que apoiam: i) as Leis Estaduais que proíbem o uso de amianto e, ii) o parecer técnico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, expressando sua preocupação com relação à aplicação aérea de inseticidas para controle do mosquito Aedes aegypti.

O Caminho em toxicologia

A toxicologia pode ser um caminho interessante para você biomédico ou estudante de biomedicina. No entanto, é preciso ter em mente que, assim como para qualquer outra área, é necessário muito estudo, dedicação, estágios (experiência prática), trabalho em equipe, raciocínio lógico e pós-graduações.

Muitas são as possibilidades de inserção no mercado da toxicologia.

Entretanto, uma reclamação comum dos proprietários e diretores de empresas e laboratórios de toxicologia, é a falta de experiência prática e capacidade de resolução de problemas por parte destes novos profissionais.

Neste ano de 2017 teremos muitos eventos em toxicologia. Assim, vale aqui deixar o convite para você participar do XX Congresso Brasileiro de Toxicologia que irá ocorrer em Goiânia – GO, entre os dias 08 e 11 de outubro de 2017.

Neste congresso, praticamente todas as áreas da toxicologia estarão muito bem representadas, e a biomedicina estará lá.

O tema do congresso deste ano é “as estratégias da toxicologia do século XXI para um mundo mais seguro e sustentável”.

Você estudante ou profissional poderá submeter seu resumo para apresentação, e muitos assuntos importantes, tais como doping no esporte, métodos alternativos em toxicologia, nanotoxicologia, entre outros, serão debatidos nas atividades pré-congresso e durante o congresso.

Por fim, quer se manter informado na área de toxicologia, acesse: www.sbtox.org, confira o site da sociedade, torne-se membro como estudante ou profissional, e acesse as publicações trimestrais do INFOTOX, que estão disponíveis no site da Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTox).

Ademais, se você atua ou pretende atuar em toxicologia, mas possui dúvidas com relação as atribuições do profissional biomédico nesta área, entre em contato com a Comissão de Toxicologia do Conselho Regional de Biomedicina 1ª Região (CRBM-1).

Além disso, biomédico toxicologista, todos os anos a Associação Brasileira de Biomedicina (ABBM) oferece a prova para obtenção de título de especialista em toxicologia.

O título de especialista expedido pela ABBM é muito importante e garante para o mercado de trabalho um profissional comprovadamente atualizado e capacitado.

Prof. Me. Éric Diego Barion

Biomédico habilitado em Toxicologia e Análises Clínicas. Professor Assistente II – RE e Coordenador do Curso de Biomedicina. Professor de Ensino Superior da Diretoria de Saúde II. Presidente da Comissão de Toxicologia e Conselheiro Honorário do Conselho Regional de Biomedicina

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