A Importância do Administrador na Gestão Hospitalar

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A Importância do Administrador na Gestão Hospitalar

Dartagnan Ferreirra de Macêdo
Thayse Ingrid Clímaco Romeiro
Duilio Cleto Marsigli

O presente trabalho teve como objetivo analisar a importância do administrador na gestão hospitalar, a partir da visão das chefias de médicos, enfermeiros e administradores de um Hospital Universitário. Para tanto, realizou-se uma pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa.

A coleta de dados foi realizada por meio de questionários aplicados com todas as 41 chefias de médicos e enfermeiros da organização estudada e de entrevistas semiestruturadas com um grupo de 8 administradores do Hospital.

A partir dos resultados, constatou-se que a maioria dos médicos e enfermeiros observa o hospital como uma organização complexa (92,7%), reconhece a necessidade de experiência e/ou conhecimento em gestão para assumir cargos de direção ou chefia (97,6%) e acreditam que a gestão deve ser compartilhada entre médicos e administradores (78%).

Em relação ao relacionamento entre as categorias profissionais, percebeu-se a necessidade de aperfeiçoamento no processo de comunicação.

Nos resultados das entrevistas, observou-se que os administradores demonstraram a importância das funções gerenciais desenvolvidas para garantir o funcionamento adequado dos serviços hospitalares.

Portanto, evidenciou-se a essencialidade do profissional administrador dentro da estrutura hospitalar, destacando-se, contudo, a necessidade de competência gerencial, especialização na área e do apoio de todos os profissionais de saúde para a obtenção dos objetivos organizacionais.

As primeiras estruturas hospitalares eram vistas como instituições de caridade administradas por médicos, enfermeiros ou pessoas da comunidade que tinham a responsabilidade de gerenciar os recursos escassos, não existindo, porém, a figura do administrador (SEIXAS; MELO, 2004) O papel social do hospital veio evoluindo junto com a medicina e os avanços tecnológicos, se transformando em lugares de prevenção e tratamento de enfermidades, auxiliados por equipamentos, máquinas e infraestruturas que dão suporte ao cuidado com o paciente.

A complexidade da estrutura hospitalar está relacionada às características peculiares das atividades desenvolvidas e à diversidade dos serviços prestados.

Diante da evolução da estrutura hospitalar, existe a necessidade de que os hospitais sejam gerenciados por profissionais capazes de compreender e administrar sua estrutura complexa.

A participação dos profissionais de saúde, especialmente dos médicos, deve ser integrada a toda a equipe e ao alcance de metas e resultados, já que o trabalho desenvolvido por esses profissionais é imprescindível no serviço assistencial do hospital.

Todavia, seus esforços são tão necessários quanto os dos demais integrantes da equipe hospitalar, incluindo os enfermeiros e gestores, pois o cuidado e os serviços prestados aos pacientes dentro de um hospital dependem da conjugação do trabalho de vários profissionais (NETO; MALIK, 2007).

Embora a inclusão de administradores na gestão hospitalar esteja em evolução, a maioria dos hospitais no Brasil ainda é administrada por médicos e enfermeiros, que aprenderam a coordenar o hospital no dia-a-dia (SEIXAS; MELO, 2004). Na rede pública de todo o Brasil, é observável o acúmulo de filas e a insatisfação de usuários com a qualidade do atendimento oferecido.

Por isso, o administrador hospitalar deve desenvolver suas atividades de forma participativa para alcançar os objetivos sociais do hospital, primando pelo seu adequado funcionamento, oferecendo condições físicas, materiais e humanas aos profissionais de saúde para que desenvolvam com eficiência suas funções.

Dessa forma, há a necessidade de o gestor hospitalar equilibrar as atividades administrativas e assistenciais de saúde, assim como buscar uma integração entre médicos, enfermeiros e demais profissionais existentes nos hospitais.

Embora sua autonomia ainda seja restrita, cabe ao administrador assumir e exercer as funções gerenciais de planejamento, organização, direção e controle, entendendo que suas ações e decisões influenciam nas atividades e nos resultados obtidos dentro dos hospitais (PICCIAI, 1998).

Este trabalho teve como objetivo analisar a importância e influência das ações e decisões dos profissionais com graduação em administração nos resultados e nas atividades desenvolvidas no hospital.

Para tanto, analisou-se a percepção das chefias de médicos e enfermeiros de um Hospital Universitário sobre a importância da atuação dos administradores para o desempenho da instituição. Ainda, procurou-se verificar, por meio de entrevistas semiestruturadas, a percepção de um grupo de administradores sobre sua atuação e as relações com os profissionais de saúde.

Hospital: Uma Organização Complexa

As organizações do setor de saúde podem ser compreendidas como instituições com uma estrutura complexa e que exigem muita competência dos gestores, pelo fato de haver características específicas que as diferem de outras organizações, sendo apontada como uma das estruturas organizacionais mais complicadas para se administrar (DRUCKER, 1999).

No mesmo sentido, Mintzberg (1997, p. 16) retrata essa complexidade de uma maneira bastante singular ao declarar que: “[…] administrar a mais complicada corporação deve ser quase brincadeira de criança quando comparada à administração de qualquer hospital”.

As organizações hospitalares, no mundo contemporâneo, devido à grande competitividade do mercado e os avanços tecnológicos, necessitam cada vez mais de profissionalismo na gestão, bem como de processos de trabalho bem definidos.

De acordo com Maudonnet et al. (1988), houve uma sucessão de modelos, no histórico das organizações hospitalares, no Brasil: o tradicional (obra filantrópica, caridade religiosa); o assistencial (evolução do tradicional, sem fins lucrativos); o público (federal, estadual ou municipal, cobrando apenas dos mais afortunados); e a empresa privada hospitalar (finalidade lucrativa, sob fiscalização estatal).

A partir dessa evolução, tornou-se fundamental a especialização do processo de gestão de recursos humanos, financeiros e materiais, especialmente devido à estrutura orgânica e complexa dessas instituições, assim como a qualificação e conhecimentos referentes a todas as categorias que integram as equipes de saúde, a fim de possibilitar um melhor gerenciamento (FERREIRA, 2008).

A notável complexidade das organizações hospitalares faz com que a importância da gestão seja ainda mais explícita, sendo necessário que as ações e decisões de seus dirigentes sejam fundamentadas em conhecimento técnico e administrativo, não apenas no bom senso e nas experiências passadas.

Com isso a participação do administrador hospitalar tornou-se imprescindível pela sua visão e observação do quão complexo é esse modelo organizacional, por meio de uma competência gerencial entendida em três dimensões: os conhecimentos que dizem respeito às teorias, abrangendo conceitos e dados sobre as organizações; as habilidades relacionadas ao diagnóstico de problemas, à elaboração de estratégias e à gestão de pessoas; e as atitudes que, por sua vez, dizem respeito à conduta ética, à empatia, entre outras características (GRABOIS et al., 1995).

O hospital possui além de semelhanças, algumas diferenças no que se refere aos outros tipos de organizações, sendo uma das principais dissonâncias o fato de as organizações.

40 hospitalares não serem baseadas em apenas uma linha de direção, o que acarreta em menos autoridade e poder efetivo do administrador.

A complexidade das organizações de saúde independe de se tratar de um hospital público ou privado, pois, de qualquer forma, faz-se necessário estar subordinado aos princípios éticos e legais do setor de saúde e às políticas governamentais que exigem o cumprimento do que dispõem as leis, não importando o fato de se ter fins lucrativos ou não.

Entretanto, as organizações públicas, por disporem de recursos orçamentários determinados e limitados, acabam sendo consideradas mais difíceis de gerir (COUTO; PEDROSA 2007; GURGEL; VIEIRA, 2002).

O hospital funciona como um verdadeiro sistema, ou subsistema dentro de um sistema social mais amplo.

Segundo Feuerwerker e Cecílio (2007), esse subsistema consome insumos (tecnológicos, financeiros, materiais) para desenvolver certos processos internos que resultam em determinados produtos e serviços para seus clientes, resultando em um retorno sobre a satisfação dos usuários que realimenta o sistema.

O hospital que sobrevive é o que produz os melhores serviços por meio do aperfeiçoamento e controle de processos internos.

Nesse sentido, pode-se dizer que dentro dos hospitais existem muitas organizações, já que ocorrem serviços referentes a outros modelos organizacionais, que vão além da prestação de serviços médicos, tais como hotelaria, lavanderia, limpeza, vigilância, restaurante, farmácia, recursos humanos e relacionamento com o consumidor (DRUCKER, 1999).

Também, Ruthes e Cunha (2007, p.94) destacam que todas essas funções dentro dos hospitais são extremamente importantes para o bom andamento da instituição, pois “a gestão de um hospital é um desafio à medida que deve colocar todos estes segmentos em funcionamento simultâneo, harmonioso, eficiente e economicamente viável”.

Ainda, observa-se que há uma multiplicidade de grupos profissionais, com interesses e objetivos próprios, às vezes até divergentes, o que é um dos pontos que tornam o hospital uma instituição complexa.

A dificuldade dessa tarefa acentua-se, principalmente, quando ela recai sobre profissionais que não têm habilidades para lidar com grupos tão heterogêneos, ou que não possuem um entendimento da realidade da área técnica da saúde, de modo a compreender as especificidades referentes à atuação dos profissionais da área.

Devido às inúmeras funções existentes, ao trato com diversos tipos de categorias profissionais e demandas variadas, no que se refere a anseios, motivação, status, hierarquia e outros fatores, os hospitais são instituições com um ambiente psicossocial delicado.

Entre as organizações de saúde, os hospitais são as instituições mais complexas, já que é a mais completa e apresenta grandes detalhes a serem observados pela gestão (PADILHA; NASSAR, 2009).

Cabe ao administrador hospitalar executar o planejamento de todas as áreas, desde compras até a gestão de recursos humanos, além de fazer com que os profissionais de saúde tenham todas as condições materiais e de pessoal para exercerem as atividades fins da instituição.

Segundo Merhy e Onocko (2002), o trabalho em saúde está sempre sujeito a imprevistos, inclusive em relação às normas e rotinas, em razão de processos de urgência.

Nesse ponto, fica visível a necessidade e importância da delegação de responsabilidades.

A estrutura de autoridade nos hospitais é descrita como ambígua por Carapinheiro (2005), destacando-se duas linhas de comando com lógicas, valores e interesses diferentes: uma, dos serviços administrativos e de suporte, voltada aos interesses econômicos, a outra, a profissional, que visa à atividade fim.

A Importância do Administrador na Gestão Hospitalar

A especialização e formação profissional dos gestores das instituições hospitalares são descritas por Gonçalves (2002, p.11) como fundamentais, ilustrando a necessidade da sua profissionalização, uma vez que visualizar o hospital como uma organização “[…] exige, por um mínimo de coerência, que o modelo de sua gestão precisa divorciar-se por completo de qualquer improvisação e de qualquer colorido de amadorismo, para assumir a postura de profissionalismo integral”.

A importância do administrador hospitalar é fundamental para a gestão de pontos específicos e comuns a qualquer organização, tais como a gestão de pessoas, custos, processos, finanças, compras e tecnologias.

De acordo com Couto e Pedrosa (2007), o administrador hospitalar tem grandes desafios, entre eles, o de gerir os diversos anseios e objetivos específicos de cada classe profissional que atua na organização hospitalar, buscando gerenciar conflitos e disputas e, consequentemente, alinhar os objetivos específicos das categorias ao objetivo maior da organização.

Portanto, é fundamental que a administração hospitalar esteja organizada com sistemas que garantam a gestão e viabilizem o negócio.

Também, Maximiano (2008) sublinha cinco tipos de funções administrativas, o planejamento, a organização, a liderança, a execução e o controle, que formam o processo administrativo.

Esses processos são inerentes a todos os modelos organizacionais. Acerca da função do administrador nas organizações hospitalares, Zoboli (2004, p. 44) descreve que “[…] o administrador no hospital é o responsável pela manutenção e pelo funcionamento de seu sistema administrativo e burocrático”.

Segundo Seixas e Melo (2004), a visão da instituição de saúde como uma empresa, facilita a compreensão da necessidade do profissional capacitado que observe aspectos referentes à qualidade e à satisfação dos clientes, que não se restringe aos pacientes, mas também abrange seus familiares.

Há uma demanda cada vez maior por dirigentes hospitalares qualificados, ou seja, que possuam uma formação específica nas áreas de gestão hospitalar e afins, de forma que são cada vez mais raros casos em que apenas bom senso e experiências anteriores são levados em consideração para encontrar um bom gestor.

Mesmo com esse reconhecimento da importância do administrador, o médico continua desempenhando o cargo de diretor geral, tendo o administrador, porém, um papel significativo e imprescindível na gestão central dos hospitais (GRABOIS et al. 1995).

Os autores destacam ainda que a posição do profissional médico na direção do hospital é uma forma de legitimar o seu poder, apesar dos administradores efetivamente controlarem os recursos e os enfermeiros administrarem a maior parte da assistência.

Acerca da formação do profissional médico, Padilha e Nassar (2009) afirmam que a formação desses profissionais não é, por si só, suficiente para que eles assumam cargos de gestão.

Para isso, o profissional de medicina deveria além de ter um conhecimento abrangente dos conteúdos técnicos, compreender a dimensão social e política do setor em que atua, além de ter conhecimentos da área administrativa, especialmente em relação ao processo de comunicação.

Todavia, mesmo que os profissionais da área fim do hospital, especialmente médicos e enfermeiros, não tenham conhecimentos teóricos de administração e práticas gerenciais, é indispensável que a gestão seja compartilhada com essas categorias, de forma a atingir os melhores serviços prestados por esses profissionais que, sem dúvidas, podem colaborar muito
com os administradores.

A importância do processo de comunicação é abordada por Maldonado e Canella (2003) como fundamental na relação de todos os profissionais entre si e na sua relação com os clientes.

A tentativa de persuasão nos relacionamentos interpessoais pode auxiliar os profissionais em situações de decisão e em momentos em que há necessidade de mudanças.

Os gestores que queiram atingir os melhores resultados devem buscar as melhores ferramentas de comunicação, para que o processo influencie positivamente nas atividades desenvolvidas na organização.

Senhoras (2007) destaca a importância da comunicação em uma organização de saúde, afirmando que é fundamental o aprendizado organizacional dentro do sistema hospitalar.

O processo de comunicação auxilia para a mudança na cultura e, principalmente, no bom andamento das atividades rotineiras, e é determinante no que diz respeito à disseminação da informação das ações da gestão para todos os colaboradores.

Diversos fatores devem ser considerados para o melhor desempenho das equipes, entre eles pode-se destacar o planejamento de reuniões e o estabelecimento de cronogramas. Para isso, é fundamental buscar sempre a soma de habilidades e conhecimentos dos componentes das equipes, visando à melhor tomada de decisões (COUTO; PEDROSA 2007).

A discussão do trabalho em equipe é um grande desafio em uma organização de saúde e essa integração dos profissionais é muito importante para que os serviços sejam executados com a qualidade desejada. Para que a união dos profissionais em prol da organização seja possível, é necessário que a atribuição das categorias de todos os setores esteja muito bem delimitada e definida para que possíveis conflitos, por esse motivo, sejam minimizados (MERHY; ONOCKO, 2002).

Para a obtenção dos resultados, é necessária a busca da melhoria contínua do desempenho, com aprimoramento da organização dos processos de trabalho, utilizando diversas ferramentas de qualidade, tais como a formação de uma equipe competente e comprometida, brainstorming, fluxograma, histograma, Pareto, folha de verificação, matriz de priorização, entre outras (COUTO; PEDROSA 2007).

Entre as ferramentas administrativas, Couto e Pedrosa (2007) citam a importância de alinhá-las às pessoas, além de saber quando e onde utilizá-las, integrando competência e desempenho às exigências do negócio e às metas organizacionais, o que é um grande desafio para os gestores que devem, junto à equipe e às políticas de RH, ajustar as estratégias e buscar a eficiência na gestão de pessoas.

As lideranças da área administrativa das instituições hospitalares, comparando-se a outras organizações, têm muitos desafios a enfrentar, tendo de conquistar o apoio de variadas subculturas de especialistas que possuem, muitas vezes, objetivos próprios e divergentes entre si.

Além disso, o administrador tem a necessidade de demonstrar que a sua função não é apenas a de realizar um controle administrativo, indo além desse papel, cabendo a ele também a tarefa de realizar planejamento, traçar e implementar estratégias, controlar os custos dos procedimentos e prezar pela melhoria constante no atendimento prestado aos clientes (VENDEMIATTI, 2010).

Ruthes e Cunha (2007) destacam que o processo decisório a ser implantado deve ser pautado em planejamento, execução e controle, para que, excetuando-se imprevistos, os administradores tenham um norte para a tomada de decisões e para mensurar a efetividade e a funcionalidade de suas ações.

A busca pela qualificação específica de todos os profissionais que exercem cargos de gestão influencia as ações e decisões realizadas e contribui de modo significativo com a organização, sendo considerada uma vantagem competitiva.

Quando a discussão de problemas e a busca de soluções ocorrem em conjunto, a cumplicidade maior entre os profissionais acaba contribuindo para diminuir distâncias, auxiliando na descentralização de decisões e fazendo com que as ações sejam mais efetivas, o que possibilita uma participação maior de todos na organização.

O gestor deve ter discernimento, para observar a importância, no momento correto, da prática de uma gestão compartilhada, que pode ser benéfica para a instituição (CECÍLIO, 2006).

O processo de trabalho da área da saúde deve ser compreendido pelo gestor hospitalar, para que se possa atender, especialmente, as necessidades de recursos materiais requeridos pelas equipes multiprofissionais.

O gestor deve buscar a sinergia entre os profissionais de saúde e estar comprometido com a organização, de forma tal a ter uma visão completa de todos os serviços realizados, primando pelas melhores práticas, buscando transmitir confiança, ética e qualidade tanto aos pacientes quanto aos funcionários.

É preciso, também, por parte do administrador, ouvir e partilhar as ações com médicos, enfermeiros e todos os profissionais, para que seja possível ter uma visão sistêmica sobre tudo o que acontece na organização e obter informações que auxiliem o processo decisório e o gerenciamento de todos os serviços oferecidos no âmbito organizacional (SEIXAS; MELO, 2004).

Um elemento essencial e um dos mais importantes para as organizações de saúde são as pessoas e, portanto, é fundamental que haja uma administração de recursos humanos muito bem organizada e competente.

O hospital só irá atingir seus objetivos, especialmente no que se refere à qualidade no atendimento, se todos os envolvidos na organização estiverem voltados para esse fim. A gestão de pessoas deve ter o papel de gerenciar todos os grupamentos profissionais e mediar conflitos que possam ocorrer (MAGALHÃES, 2006).

De acordo com Merhy e Onocko (2002), são identificáveis, nos hospitais, três grandes grupamentos profissionais: o dos médicos, o da enfermagem e o do corpo administrativo, havendo uma dificuldade na determinação do poder pelo fato de que essas categorias, na maioria dos casos, organizam-se em lógicas próprias e específicas.

Os autores destacam que o ponto mais complicado de ser trabalhado na questão da autonomia de gestão, referente à qualidade do atendimento prestado pelas instituições de saúde pública, é a execução de uma política de administração de pessoal eficiente.

Para Vendemiatti (2010), o profissional médico tem certo grau de autonomia pelo lugar de destaque que ocupa e o status que possui.

Porém, com a profissionalização administrativa das organizações hospitalares, essa autonomia acabou reduzida em prol dos hospitais, o que gerou uma dualidade de lideranças: a subcultura médica, que faz o que julga certo em determinadas situações, e a administrativa, que busca determinar regras e rotinas visando ao aumento da produtividade, à redução de custos e à busca de qualidade, por meio de uma padronização das atividades desenvolvidas.

A partir disso, acabam ocorrendo conflitos entre essas classes de profissionais, muitas vezes pela comunicação ineficaz entre os atores envolvidos.

De acordo com Cecílio (1999), a resistência a modelos de gestão hospitalares mais rigorosos e apoiados pela administração também é encontrada entre o corpo de enfermagem, não apenas nos médicos, como muitos afirmam.

Complementando, Merhy e Onocko (2002) afirmam que a área de enfermagem é um grupo muito fechado sobre si e, em sua maioria, também busca ser bastante autônomo em relação à direção administrativa.

Os autores afirmam que “[…] as enfermeiras são as gerentes efetivas das unidades assistenciais, embora as ‘chefias’ ejam, de uma maneira geral, dos médicos. Esta situação é fonte de muitos conflitos em todos os hospitais que temos observado” (MERHY; ONOCKO, 2002, p. 304).

Metodologia

Segundo Vergara (2007), os tipos de pesquisa se definem de acordo com dois critérios: quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto aos fins, o presente estudo assume as características de uma pesquisa exploratória, com abordagem quantitativa e qualitativa.

Quanto aos meios de investigação, foi adotado o estudo de caso, por meio de uma pesquisa de campo, onde os fenômenos estudados foram observados em um Hospital Universitário localizado na região Nordeste do Brasil.

Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram entrevistas semiestruturadas e questionários.

Nesta pesquisa, a população utilizada para a aplicação das entrevistas foram 14 gestores graduados em administração.

Dessa população, foi retirada uma amostra composta pelos gestores das áreas que mais contribuiriam para o estudo, sendo elas: a Direção Administrativa, Recursos Humanos, Materiais, Compras, Serviço de Arquivo Médico e Estatísticas (SAME), Custos e Orçamentos, Ambulatórios, e Patrimônio, totalizando 8 administradores entrevistados.

Para a aplicação dos questionários, considerou-se a população composta por todas as chefias de médicos e enfermeiros do Hospital, formando um grupo de 41 respondentes.

Como a população das chefias de médicos e enfermeiros foi totalmente utilizada, trata-se de um censo e, por isso, não foram realizados cálculos de erro amostral e nível de confiança.

Quanto à análise, as entrevistas tiveram abordagem qualitativa e visaram analisar a participação do administrador na gestão hospitalar. As entrevistas tiveram um roteiro semiestruturado e ocorreram, em média, por 25 minutos cada, sendo realizadas no próprio local de trabalho dos entrevistados.

As respostas foram gravadas e, posteriormente, transcritas na íntegra, com autorização dos entrevistados, sendo analisadas mediante análise de conteúdo. Em relação aos questionários, foram aplicados quarenta e um instrumentos com toda a população das chefias de médicos e enfermeiros do Hospital Universitário, de acordo com lista fornecida pelo setor de Recursos Humanos.

Nesses questionários foram inclusas perguntas fechadas, de múltipla escolha e algumas questões abertas. A coleta total dos dados durou quatro meses. As informações coletadas foram tabuladas através do software MYSTAT, para posteriores cruzamentos e análises dos dados, observando sempre o que foi pertinente aos objetivos da pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesta seção serão apontados os principais resultados e discussões da pesquisa. Inicialmente, serão apresentadas as análises dos questionários, referentes às percepções das chefias de médicos e enfermeiros quanto ao trabalho desenvolvido pelos administradores na gestão hospitalar. Na seção seguinte, serão destacadas as principais opiniões dos administradores
entrevistados.

Percepção dos médicos e enfermeiros. O perfil da população das chefias de médicos e enfermeiros, encontrado através da aplicação dos questionários, revela que a maioria dos respondentes é do sexo feminino (78%). Isso acontece porque, dos 19 chefes de enfermagem, 18 são enfermeiras e, dentre as chefias médicas, do total de 22 profissionais, 14 são mulheres.

Em relação à faixa etária, observou-se que 77,9% dos respondentes têm idade entre 40 e 70 anos, o que demonstra que os cargos de chefia são ocupados, em sua maioria, por profissionais mais experientes.

Em relação à área de atuação dos profissionais entrevistados, percebe-se um equilíbrio entre a quantidade de chefes médicos (53,7%) e enfermeiros (46,3%).

Os dados relacionados ao tempo de serviço dessas categorias no Hospital Universitário objeto de análise ilustra que 80,5% dos respondentes têm mais de 10 anos de atuação no hospital, enquanto que 14,6% têm entre 5 e 10 anos, e apenas 4,9% atuam na organização a menos de 5 anos.

Quanto ao questionamento acerca do tempo de exercício no cargo de chefia, nota-se que a maioria, correspondente a 58,6%, já exerce cargos de chefia há pelo menos 5 anos.

Quando questionados sobre o exercício anterior de outro cargo de chefia além do atual, 56,1% disseram que haviam tido experiências anteriores.

Também, foi questionado aos profissionais médicos e enfermeiros se eles consideram o hospital uma organização complexa e 92,7% afirmaram que sim. Este é um dado muito relevante, pois demonstra que essa percepção é bastante clara entre a maioria dos profissionais de saúde.

Entre os motivos mais citados que justificam essa visão do hospital, destacaram-se a necessidade de equilíbrio financeiro das organizações hospitalares (14,63%), a característica da estrutura organizacional e administrativa (9,75%), a prestação dos serviços médicos/hospitalares (7,31%), e a presença de equipe multiprofissional (7,31%). 

Acerca da necessidade de conhecimento e/ou experiência em gestão para assumir cargos de direção ou chefia dentro dos hospitais, 97,6% das chefias afirmaram que essa é uma condição necessária.

Entre as justificativas, as que se sobressaíram foram o fato de esse conhecimento ou  experiência facilitar o andamento dos trabalhos, além de servir para orientação no exercício da função e para um melhor relacionamento interpessoal.

Por outro lado, apenas 2,4%, isto é, para um entrevistado, esse conhecimento não é necessário, segundo o qual o mesmo pode ser
adquirido apenas com a prática.


Procurando compreender, na visão dos respondentes, qual o profissional seria mais qualificado para dirigir um hospital, verificou-se que 78% acreditam que a gestão deve ser compartilhada entre médico e administrador, justificando as respostas pela agregação dos conhecimentos específicos em administração e na área fim do hospital.

Para 12,2% o profissional mais adequado seria o administrador e para 2,4%, o médico. Ainda, para 7,3% dos entrevistados, que são chefes de enfermagem, qualquer profissional poderia exercer a gestão de um hospital, desde que tenha habilidade, capacidade e conhecimento em gestão hospitalar.

Esse dado demonstra que a presença dos profissionais administradores na estrutura hospitalar tem sido crescente e mais bem aceita entre os profissionais da área de saúde.

Caldas (2008) enfatiza que quando o gestor possui uma formação específica, somado a experiências gerenciais anteriores, há maior chance de sucesso em sua direção.

Buscando avaliar o relacionamento entre a administração do hospital e as categorias de médicos e enfermeiros, foram abordadas questões relativas à qualidade e aos fatores que dificultariam esse relacionamento, e se possíveis conflitos entre essas três categorias afetam as atividades desenvolvidas e os serviços prestados.

A tabela seguinte revela que, para 65,85% das chefias, o nível de qualidade desse relacionamento entre as categorias citadas está entre bom e ótimo. Para 26,82% está em um nível regular e, mesmo nenhum dos entrevistados indicando a alternativa ruim, 7,31% apontaram o relacionamento como péssimo.

Embora a maioria tenha respondido positivamente ao questionamento, uma parte significativa (34,14%) considera que a qualidade dessas relações ainda pode ser aperfeiçoada.

Analisando como os conflitos no relacionamento entre médicos e enfermeiros, e entre estes e os administradores poderiam afetar as atividades desenvolvidas e os serviços prestados dentro do hospital, foi observado que a existência de conflitos interfere altamente nas variáveis citadas, para 53,65%. Isso significa que é fundamental que haja um bom relacionamento interpessoal entre todas as categorias, na busca pela prestação de serviços com qualidade e excelência.

O administrador hospitalar é um profissional que possui muitas funções dentro de uma organização, visto que a sua atuação tem um papel significativo nos resultados organizacionais e na qualidade dos serviços prestados, como afirmam Beltram e Camelo (2007, p. 55): “[…] nos hospitais, os gestores precisam repensar a cada momento em novos métodos de administração, novos investimentos para melhorar seus equipamentos e sua estrutura de atendimento […]”.

A comunicação dentro de qualquer organização deve ser entendida como ferramenta primordial na busca pelo sucesso e obtenção dos resultados organizacionais.

Nas instituições hospitalares, onde as pessoas desempenham um papel de extrema importância, é fundamental que elas estejam bem informadas para que possam se envolver e participar das ações gerenciais, auxiliando no cumprimento de metas e objetivos determinados. 

Apontando características importantes para o gestor, Seixas e Melo (2004) citam algumas que também são apresentadas nos resultados desta pesquisa.

Entre elas estão as habilidades para a atuação do administrador em uma organização de saúde, capacidade profissional, compreensão da necessidade de um bom relacionamento interpessoal, qualificação específica em relação ao processo de trabalho da área de saúde, visão integrada dos serviços prestados, comprometimento com a organização, disponibilidade em ouvir e buscar aprendizado constante, além de conhecer aspectos éticos e legais que envolvam a instituição.

Percepção dos administradores

 Nesta seção, será realizada a análise dos dados coletados através das entrevistas realizadas com um grupo de oito administradores do Hospital Universitário objeto do estudo.

Na seleção dos entrevistados, buscou-se, como pré-requisito, que todos tivessem formação acadêmica na área de Administração e especialização em gestão hospitalar, gestão pública ou áreas correlatas.

Em relação à complexidade das organizações hospitalares, todos os entrevistados afirmaram que consideram os hospitais como uma organização complexa.

Para justificar a afirmativa, foram apontadas diversas características desse tipo de organização que justificam a resposta, sendo o motivo mais citado a diversidade de profissionais de categorias diferentes existentes dentro dessa estrutura.

Dentre outros motivos, foi citada a cultura organizacional diversa e específica de cada grupamento profissional, além da formação dos profissionais de saúde, já que alguns desses profissionais ainda veem o hospital numa perspectiva mais tradicional, através da qual os hospitais eram administrados por médicos e enfermeiros.

Também, outras respostas complementares justificariam a complexidade hospitalar, tais como o fato de o hospital em estudo ser uma organização pública, as várias funções organizacionais existentes, o excesso de burocracia, principalmente em áreas referentes a licitações e a compras, a resistência dos médicos em aceitar regras, e por ser uma organização que lida com pessoas com problemas de saúde e que estão fragilizadas em razão disso.

A percepção consolidada do hospital como organização complexa demonstra a necessidade de um profissional qualificado: “a administração hospitalar é fruto do sistema que se expandiu por várias partes do mundo, onde o hospital é visto como uma empresa moderna, e é claro, deve contar com os administradores” (SEIXAS e MELO, 2004, p.17). 

Quando questionados sobre quem deve exercer a gestão dos hospitais, a maioria respondeu que a gestão propriamente dita deve ser exercida pelos administradores; já para dois dos entrevistados a gestão deveria ser dividida entre os administradores e os profissionais de saúde.

Para embasar essas respostas, os entrevistados levantaram três justificativas: o administrador possui formação específica em gestão; é um profissional que tem uma visão mais ampla e sistêmica do hospital; e a categoria tem um pensamento voltado para os objetivos organizacionais e não em interesses de determinados grupos profissionais.

Os seguintes aspectos foram descritos como imprescindíveis para o exercício das funções do administrador hospitalar: planejamento, administração de recursos, estabelecimento de metas e objetivos, visão sistêmica, lidar com questões administrativas e burocráticas, relações interpessoais e, por fim, ter conhecimento geral acerca de custos, materiais, recursos humanos, projetos, processos e orçamentos.

Fica evidenciado que os administradores possuem conhecimentos que são determinantes para que a gestão de uma organização de saúde seja eficiente. Porém, é fundamental a participação dos profissionais da área de saúde nessa gestão, de forma a minimizar conflitos prejudiciais à organização como um todo.

No tocante à existência de conflitos entre profissionais das categorias de administradores, médicos e enfermeiros, sete respondentes afirmaram que conhecem a existência desses conflitos; apenas um entrevistado afirmou não ter conhecimento dessa situação.

Os principais argumentos expostos pelos entrevistados foram que os profissionais de saúde, de modo geral, não compreendem a necessidade do planejamento e a limitação dos recursos, além de desconhecerem as especificidades de questões referentes a custos, orçamentos, licitações, além de falhas no processo comunicativo e do estresse dos profissionais.

Observou-se que para uma parte significativa dos administradores, há a existência de disputa de poder no hospital.

Entre os que responderam que não há uma disputa, os argumentos utilizados foram de que cada categoria tem sua função bem definida e que, por estarem em maior número, os médicos e enfermeiros possuem a maioria dos cargos de chefia e, em consequência, maior representatividade.

Por sua vez, os que afirmaram que existe esse processo, expuseram que alguns médicos não dão a devida importância aos administradores e que a divisão de papéis, atribuições e responsabilidades poderia ser melhor definida.

Em relação ao processo de comunicação, segundo a maioria dos entrevistados, houve um aperfeiçoamento ao longo dos anos, por meio da facilitação do acesso à administração do hospital e do uso de instrumentos de comunicação, tais como, informativos, fluxogramas, jornal, internet e intranet, reuniões, ofícios, memorandos e circulares, que foram descritos como importantes ferramentas de comunicação utilizadas na instituição.

Entretanto, foram feitas ressalvas por todos os entrevistados de que são necessárias melhorias significativas no processo de comunicação, pois ainda há falhas a serem corrigidas,como, por exemplo, a existência intensa de comunicação informal, gerando ruídos, principalmente pelo fato de a organização possuir uma estrutura grande, com funcionários que trabalham em turnos diferentes.

Outro exemplo bastante pontuado refere-se à transmissão incorreta das informações obtidas pelas chefias, em reuniões com a administração, para os demais colaboradores de sua equipe.

A necessidade de um processo de comunicação eficiente nas organizações de saúde é destacada por Senhoras, afirmando que essa importância (2007, p. 53) “reside na sua capacidade de direcionar o aprendizado organizacional dentro do sistema hospitalar, ao corroborar para a mudança de forma na cultura”.

Evidenciou-se que há ainda pontos a serem aperfeiçoados, principalmente em relação à necessidade de as informações chegarem corretamente a todos os profissionais.

Foi questionado qual seria a importância efetiva do administrador na gestão hospitalar. Todas as opiniões convergiram para o fato de que os administradores são fundamentais e essenciais para as organizações de saúde.

Em atenção a esse fato, foram elencadas justificativas que demonstram a importância deste profissional, destacando-se: planejamento e organização de toda a instituição, o gerenciamento de recursos humanos e financeiros, a racionalização de recursos materiais, a delegação de funções e responsabilidades, a realização de contratos e projetos, a definição de prioridades, a primazia pela qualidade dos serviços, o estímulo à motivação, a visão ampla e abrangente do hospital e o fornecimento do apoio e estrutura
necessários para que a área fim funcione de maneira adequada e eficaz.

Também, o profissional que irá gerir organizações de saúde deve observar diversos fatores específicos que distinguem as organizações hospitalares de outras organizações, como, por exemplo, a existência constante de duplicidade de autoridade, o trabalho em equipe dependente de diversos grupos profissionais, com especialidades diferentes e com alto nível de complexidade e variabilidade, as mudanças constantes de inovações tecnológicas, entre outros aspectos.

Observa-se, assim, o quanto o administrador é importante para gerir essas organizações. Para uma maior eficiência no exercício de suas funções, faz-se necessário que haja uma ampliação da participação efetiva dos administradores na gestão, visto que, na maioria dos hospitais, os médicos ainda dominam a gestão da estrutura hospitalar, havendo pouca autonomia por parte dos administradores (FERREIRA, 2008).

Nesse contexto, uma gestão de recursos humanos eficiente é fundamental em organizações de saúde; todavia, a atuação do gestor é bastante difícil, pois: “os problemas de gestão de pessoas são, em princípio, de natureza gerencial, sem, contudo ignorar que os gerentes das unidades públicas de saúde têm pouca ou nenhuma autonomia para resolvê-los” (DUARTE; BOTAZZO, 2009, p. 162). Também, é fundamental que os administradores demonstrem, através de ações efetivas, sua importância, atuando com competência.

Por fim, a partir das informações levantadas, a importância do administrador dentro da estrutura hospitalar foi demonstrada, destacando a necessidade de conhecimentos específicos para atuar em organizações hospitalares.

Além disso, por ter uma visão mais abrangente, constata-se que os administradores têm um papel imprescindível nessas organizações complexas, sendo indispensável a presença dos mesmos para o funcionamento eficiente e eficaz da instituição.

Considerações finais

O presente artigo buscou analisar a importância da atuação dos administradores na estrutura hospitalar, a partir da percepção dos profissionais de saúde e dos gestores de um Hospital Universitário.

Conclui-se que o profissional administrador, por meio da análise da importância do trabalho realizado na instituição objeto de análise deste estudo, contribui significativamente para o desenvolvimento da organização hospitalar, estruturando e proporcionando condições necessárias para que a área fim do hospital funcione adequadamente.

Nota-se, a partir das respostas das chefias de médicos e enfermeiros, que esses profissionais percebem a essencialidade do conhecimento e da experiência em gestão para assumir as funções de direção ou chefia, além de reconhecer a importância do administrador na gestão do hospital, embora percebam que é fundamental o compartilhamento dessa função com os profissionais de saúde.

A maioria dos profissionais de saúde avaliou o trabalho dos administradores como importante e destacou, como características essenciais a eles, a necessidade de possuírem conhecimentos na área de gestão hospitalar, terem liderança, agirem com ética e desenvolverem um bom relacionamento interpessoal com os membros da organização.

Analisando o resultado das entrevistas com os administradores, verificou-se que todos os profissionais consideram ter um papel importante nas atividades desenvolvidas na estrutura organizacional complexa do hospital.

Entretanto, essa participação ainda pode ser considerada relativamente limitada, devido à recente inclusão desses profissionais na estrutura hospitalar e à grande influência de poder exercida pelos médicos.

No que se refere à relação do profissional administrador com os profissionais médicos e de enfermagem, ilustrou-se que existem conflitos gerenciais, mas, apesar disso, para boa parte dos profissionais da área de saúde, a qualidade do relacionamento entre as categorias é satisfatória.

Entretanto, as falhas na comunicação são apontadas como um dos fatores que dificultariam esse relacionamento.

O processo de comunicação foi considerado regular, pois apesar da existência de muitos instrumentos, a amplitude da estrutura organizacional do hospital resulta em comunicações informais e ruídos no processo comunicativo.

Na percepção dos administradores entrevistados, os principais motivos para a existência de conflitos são a ausência de compreensão ampla por parte dos profissionais de saúde de aspectos administrativos, como planejamento e controle dos materiais, custos, orçamentos e questões burocráticas.

A existência de conflitos é um fator que deve ser bem gerenciado pelo gestor, pois pode comprometer as atividades desenvolvidas e os serviços prestados no hospital, sendo, portanto, fundamental a atuação da administração na mediação e na busca da minimização desses conflitos, para que os objetivos organizacionais não sejam prejudicados.

O relato de tudo que foi evidenciado corrobora a afirmação da importância do administrador na gestão hospitalar.

Por possuírem uma formação e qualificação voltada essencialmente à gestão, os profissionais administradores entendem a necessidade do estabelecimento de metas e objetivos e de um bom relacionamento interpessoal, que são fundamentais para o sucesso de qualquer organização.

Porém, apesar da percepção de que o administrador é muito importante na estrutura da organização hospitalar, alguns pontos levantados merecem destaque.

O poder nas organizações hospitalares, no geral, concentra-se, ainda, na figura do médico, seja por questões culturais, de corporativismo ou devido à quantidade maior de chefias em comparação aos administradores e enfermeiros.

Para um melhor desempenho e realização de melhorias efetivas na organização, os administradores poderiam ter mais autonomia.

Também, os administradores devem buscar se especializar na área específica de gestão hospitalar, posicionar-se e, principalmente, agir com competência, demonstrando, através de ações, a importância do trabalho exercido, levando em consideração a complexidade e as especificidades e características próprias das instituições de saúde, de forma a buscar, com o apoio de todos os
demais profissionais, incluindo médicos e enfermeiros, exercer uma gestão compartilhada e que vise primordialmente atingir os objetivos organizacionais e a qualidade dos serviços prestados.

Como limitações da pesquisa, pode-se citar que os resultados obtidos neste trabalho foram decorrentes do estudo de um único hospital, especificamente um Hospital Universitário.

Para pesquisas futuras, sugere-se outros estudos que analisem a importância do trabalho desenvolvido pelos administradores na estrutura hospitalar, além da relação entre as diversas categorias profissionais presentes nas organizações hospitalares. Também, novos estudos podem analisar se existem diferenças de percepção entre profissionais de hospitais públicos e privados. 

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