Capacitação aumenta número de diagnósticos de leucemia no AM em 2018

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Capacitação aumenta número de diagnósticos de leucemia no AM em 2018

Saudável e super ativo até então, Itallo Derik Cortês nunca pensou que aos 13 anos de idade tivesse que tratar um câncer no sangue.

Era outubro de 2017, quando o adolescente e a família descobriram que a febre alta, na verdade, se tratava de um dos sintomas da Leucemia Linfóide Aguda (LLA).

No Amazonas, o número de pacientes com diagnósticos iguais ou semelhantes ao do estudante aumentou 10% nos primeiros três meses de 2018.

Conforme dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), de janeiro a março deste ano, 152 pacientes foram identificados com a doença, enquanto no primeiro trimestre do ano passado houve 138 registros de leucemia.

O adolescente é um dos 574 pacientes que procuraram tratamento na rede pública de saúde, especificamente na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) em 2017.

Ele contou que se sentiu mal na escola, pois começou a se queixar de febre e cansaço.

“Algumas vezes senti falta de ar, mas foi a febre que fez com que minha família me levasse ao Pronto-Socorro da Criança, na Zona Sul. Lá, eles disseram que não era nada grave e me deram apenas um analgésico para tomar.

No entanto, a febre não diminuía, portanto fui levado ao João Lúcio e lá, após alguns exames de sangue, iniciou a suspeita. Mal eu sabia que a minha vida mudaria de uma hora para outra”, disse.

O cabelo de Itallo caiu com a quimioterapia e ele parou de estudar e sair de casa. A mãe dele, a cuidadora de idosos Érica Cortês, 39, acompanha o tratamento do filho no FHemoam 24 horas por dia. O adolescente já realizou o último bloco de quimioterapia e agora deve aguardar retorno para tomar outras medicações.

Ele ficou quase um mês internado e voltou na última terça-feira para casa. O jovem conseguiu passar o Dia das Mães em fora do hospital.

Conforme o diretor-presidente da FHemoam, Nelson Fraji, cerca de 90% dos pacientes com o diagnóstico de leucemia são tratados na fundação.

Ele explicou que metade dos casos registrados nos últimos anos foi em crianças e adolescentes de até 12 anos.

Apesar dos dados, o diretor informou que o número ainda é considerado menor do que o esperado para a população do Amazonas.

“Somos quatro milhões de habitantes e não atingimos a média mínima de casos no Brasil por conta da falta de diagnóstico. Mesmo assim, trabalhamos bem apesar de algumas dificuldades de infraestrutura e falta de recursos”, considerou.

A leucemia

É o câncer dos tecidos formadores de sangue, incluindo a medula óssea. Existem muitos tipos, como leucemia linfoblástica aguda, leucemia mieloide aguda e leucemia linfocítica crônica. A leucemia acontece quando os glóbulos brancos perdem a função de defesa e passam a se produzir de maneira descontrolada.

São várias as linhagens celulares que derivam da medula óssea, e baseando-se nos tipos de glóbulos brancos que elas afetam, as leucemias estão dividias em dois grandes grupos: mieloide e linfoide.

As que afetam as células linfoides são chamadas de: leucemia linfoide, linfocítica ou linfoblástica. Já as que afetam as células mieloides são chamadas de leucemia mieloide ou mieloblástica.

Muitos pacientes com tipos de leucemia de crescimento lento não têm sintomas.

Os tipos de leucemia de crescimento rápido podem causar sintomas que incluem fadiga, perda de peso, infecções frequentes e sangramento fácil ou hematomas.

Capacitação

Nelson Fraji, diretor-presidente diretor-presidente da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam), atribui o ligeiro aumento no número de casos a um projeto para treinar técnicos de laboratório do interior a realizar etapa considera crucial do diagnóstico da doença: identificar a célula leucêmica durante exame de hemograma.

O curso de hematologia do Amazonas iniciou no município de Coari (distante 363 km de Manaus, em linha reta) em abril de 2017, após doação de 40 mil reais de uma empresa internacional de medicamentos.

O objetivo, segundo Nelson Fraji, é aumentar em pelo menos 30% o número de diagnósticos.

“Além de técnicos de Coari, chamamos técnicos de laboratório de Codajás, Anori e Tefé. Nós realizamos o treinamento durante quatro dias e o ensinamos ao profissional a identificar a célula”, disse.

“A partir daí criamos uma rede de diagnóstico online através de um grupo no WhatsApp, onde já conseguimos muitos resultados, principalmente com a rapidez do processo.

Em 48 horas, o paciente que for diagnosticado no interior pela rede já estará sendo tratado por aqui”, completou Nelson Fraji.

Até agora, 66 técnicos de saúde de 27 municípios do Estado já foram capacitados desde o início dos treinamentos.

Fonte: Jornal A Crítica

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